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Blogs Superinteressante - Mulher das Estrelas

Blog Mulher das Estrelas, por Duilia de Melo
A astrônoma brasileira Duilia de Mello conta como é trabalhar na NASA
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Duilia de Mello é astrônoma e pesquisadora do Goddard Space Flight Center da Nasa, em Maryland (EUA). Em Mulher das Estrelas ela fala sobre os bastidores da agência espacial norte-americana e sobre como é trabalhar com alguns dos mais importantes cientistas do mundo

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    Série: Observatórios

    23 Ago 2008 10:52

    Hoje vou começar uma série de posts sobre os observatórios mundiais. O leitor já deve ter notado que eu tenho uma quedinha especial por satélites e que sou fanzoca e usuária de vários deles, mas estou passando por uma fase em que estou sentindo saudades de ir até as montanhas, virar algumas noites em claro e obter imagens minhas, tiradas por mim mesma. Eu comecei minha carreira observando no Brasil, no Laboratório Nacional de Astrofísica em Itajubá. Foi lá que aprendi a observar, mas durante o meu doutorado fui até as montanhas chilenas que são consideradas as melhores do mundo por terem baixa humidade e serem altas e isoladas. Escolhi como foto do dia, um velho amigo meu, o observatório europeu austral de la Silla, no norte chileno. Foi lá que descobri há onze anos atrás a SN1997D.

    Aproveito para dar os parabéns ao time de volei feminino que acaba de ganhar medalha de ouro!


    Colaborando e descobrindo

    17 Ago 2008 08:45

    Oi pessoal,
    deixa eu contar para vocês um pouquinho mais sobre uma das pesquisas que estou fazendo. Eu trabalho com a professora Cláudia Mendes de Oliveira e com o estudante dela, Sergio Torres-Flores, ambos da USP, em um projeto que é parecido com aquele que saiu nos jornais em janeiros sobre as bolhas azuis. A diferença é que estamos procurando por estas bolhas solitárias entre galáxias que estão localizadas bem perto uma das outras. Estes grupos são chamados de grupos compactos de galáxias e a Professora Cláudia é a maior bam-bam-bam do assunto no Brasil e uma das maiores do mundo. Ela está aqui nos visitando na NASA por alguns dias e o Sergio passou 6 semanas ralando muito aqui também. Vou contar para o leitor em primeira mão que junto com o Sergio descobrimos várias bolhas e já estamos escrevendo o artigo revelando nossos resultados. Assim que terminarmos conto mais um pouquinho. Para os que não se lembram, ou nunca ouviram falar das bolhas azuis, cliquem aqui para ver o blog de janeiro. Escolhi para embelezar o dia de vocês uma foto de um dos meus grupos compactos de galáxia favorito, chamado Quinteto de Stephan, tirada pelo Hubble.


    100 mil órbitas do Hubble

    12 Ago 2008 23:30

    Apesar de capenguinha, o Hubble continua produzindo imagens lindíssimas. Esta semana ele comemorou 100 mil órbitas desde que foi lançado em 1990. Em outubro os astronautas irão recauchutar o Hubble e trocar os instrumentos, inclusive substituir a câmera que tirou esta imagem e colocar a poderosa WF3. Vamos falar muito da missão de reparo nos próximos meses, aguardem. A imagem colorida é de uma nebulosa aonde estrelas se formam a 170 mil anos-luz de distância perto da nebulosa da Tarântula. As cores representam o oxigênio (azul), hidrogênio (verde) e enxofre (vermelho). O site do Hubble tem mais detalhes e imagem em alta resolução.


    Plutóides, Plutinos, Plutão em Delaware

    09 Ago 2008 18:17

    Estamos passando o final de semana em uma casa de praia no pequeno estado de Delaware. Chegamos ontem a noite um pouco depois dos nossos amigos, Larry e Mary Anne. Larry, assim como o Tommy meu marido, também é astrônomo e trabalha no instituto do Hubble e Mary Anne é advogada em Washington. Logo depois chegou um outro amigo deles que também é advogado e embarcamos em uma discussão bem interessante: Plutão! Eu já sabia que muitos americanos se sentem um pouco ofendidos com o fato de Plutão ter perdido o status de planeta e pertencer a categoria planeta-anão desde agosto de 2006. Afinal eles são muito orgulhosos de ter sido um americano, Clyde Tombaugh, quem descobriu o planeta em 1930. Mas eu não tinha a mínima idéia que o novo termo escolhido pela União Astronômica Internacional (UAI) em junho de 2008, Plutóide, fosse provocar reação tão negativa. Segundo eles, as palavras que terminam com -óide (-oid em inglês) tem um tom pejorativo. E eu que achava o termo até bonitinho fiquei sem saber o que falar. Eu achava até que a UAI estava querendo homenagear Plutão ao dar o nome de plutóide aos planetas anões. Segundo a UAI, os planetas são objetos esféricos que estão em equilíbrio e que não possuem outros objetos de tamanho semelhante na redondeza. Não confundir Plutóides com Plutinos que são objetos do cinturão de Kuiper em resonância com Netuno. Explicando: a cada duas vezes que um Plutino completa uma órbita, Netuno completa 3 órbitas. A resonância, neste caso 2:3, parece uma dança coreografada ao redor do sol. O cinturão de Kuiper que está a 33-50 UA (1 UA = distância da terra ao sol) é cheio de pedregulhos do tipo asteróides congelados e contém pelo menos 2 planetas-anões,  Plutão e Makemake. Resumindo, Plutão é um plutino e um plutóide. Enfim, vejamos qual será o assunto da noite de hoje.  A fotinho foi enviada para mim outro dia por um estudante que tive no semestre passado.


    Galáxias Barradas

    05 Ago 2008 23:23

    Semana passada foi a vez do meu amigo Kartik Sheth do Caltech ficar famoso com as descobertas que fez sobre as galáxias barradas. O Kartik é especialista neste tipo de galáxias e acaba de terminar um estudo super detalhado de mais de 2 mil galáxias que fazem parte de um dos maiores projetos já realizado com o Hubble chamado COSMOS. Este projeto, chefiado pelo grande astrônomo Nick Scoville também do Caltech, cobre uma área equivalente a nove vezes a área da Lua e ganha de todos os outros projetos de imageamento com o Hubble. O Kartik aproveitou a grande área para procurar pelas galáxias que possuem uma barra transversal que passa pelo núcleo. Apesar de cerca de metade das galáxias espirais possuírem barras ainda não sabemos se a barra é transitória e se tem algum papel importante na formação e evolução das galáxias. Existem teorias que dizem que as barras transportam gás para os buracos negros no núcleo das galáxias de forma eficiente. Se constatarmos que isto realmente ocorre estaremos um passo mais próximo de entender o mecanismo de formação de galáxias espirais como a nossa. O estudo que o Kartik acaba de terminar comprova que as barras acontecem somente nos estágios finais da formação das galáxias. Ou seja, galáxias jovens não possuem barras e utilizam outros processos para alimentar os buracos negros, como a colisão com outras galáxias menores. Já as galáxias mais velhas necessitam das barras para transportar o gás.

    A galáxia da foto faz parte das 2 mil que o Kartik analisou. Ela está a 2,1 bilhões de anos-luz da Terra e mostra uma barra central. Querendo saber mais informação clique no site do Hubble.


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